Novos tempos

Novos tempos

Após a aprovação da PEC das Domésticas, famílias brasileiras se adaptam a uma nova dinâmica no uso dos espaços da casa

Por Mariana Barros*

De duas décadas para cá, a planta dos apartamentos e casas paulistanas vêm sofrendo uma série de modificações. A maioria dessas mudanças veio para ficar, já que reflete não apenas questões estéticas, mas principalmente o estilo de vida dos dias atuais. Afinal, nem tudo o que fazia sentido há alguns anos funciona hoje. O chamado quarto de empregada, por exemplo. A PEC das Domésticas, como ficou conhecida a proposta de emenda constitucional que ampliou os direitos desses profissionais, interferiu diretamente na dinâmica familiar. Ter uma funcionária que dorme no local de serviço, algo comum nos lares de classe média até pouco tempo trás, deixa de ser acessível aos bolsos de várias dessas famílias.

Cômodos que já vinham sendo pouco utilizados, como quarto e banheiro de empregada, correm o risco de sumir do mapa nos novos apartamentos voltados à classe média, cedendo espaço à ampliação da cozinha ou a um home office bem estruturado. Nos apartamentos antigos, essas dependências assumem o papel de escritório ou depósito de quinquilharias, normalmente na base do improviso. O mesmo ocorre com o banheiro de serviço. A necessidade de haver um lavatório de uso exclusivo dos empregados domésticos tornou-se questionável, até porque embute uma ideia de que eles e os patrões não podem compartilhar os mesmos espaços. Esse modelo “Casa Grande & Senzala” não condiz com os dias de hoje, quando até a existência do elevador de serviço entra em xeque. Em muitos edifícios não há mais a separação de uso dos elevadores: todos servem para tudo.

Na mesma linha, a tendência é que o lavabo torne-se o banheiro de uso de qualquer um que não more na casa, seja funcionário ou visita. Outra alternativa, já existente em alguns empreendimentos, é a criação de vestiários coletivos, disponíveis para todos os que de alguma forma prestem serviço no condomínio. As mudanças têm como efeito a possibilidade de criar metragens mais enxutas e permite alternativas de aproveitamento do espaço. Embora diversos itens da PEC das Domésticas ainda dependam de regulamentação, caso do FGTS, a medida já impacta a maneira de morar de milhares de pessoas. E nestes tempos de transformação, esta coluna que estreia hoje buscará ser um espaço de reflexão sobre as revoluções percebidas nos lares e nas cidades; um canal de debates das novas ideias e conceitos.

*Mariana Barros é jornalista e autora do blog Habite SP

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